
A Estrada do Chocolate, no sul da Bahia, acaba de conquistar um reconhecimento que vai além de prêmios ou selos: ela foi incluída no Mapa Brasileiro do Turismo Responsável, na categoria Sustentabilidade. Esse reconhecimento atesta que um roteiro turístico pode, e deve, equilibrar experiência, cultura e cuidado com o local.
Um roteiro que nasce do território

Entre os municípios de Ilhéus e Uruçuca, na chamada Costa do Cacau, a Estrada do Chocolate é muito mais que um caminho entre fazendas. É um convite a entender, sentir e participar da cultura cacaueira da Bahia.
Ao longo desse trecho, os visitantes são imersos em paisagens verdejantes, história agrícola e tradições que vão desde o plantio das sementes até a produção de chocolates finos. É uma experiência que reverbera mais do que sabor: ela conecta ecologia, economia local e identidade cultural.
Sustentabilidade como eixo de experiência
O Mapa Brasileiro do Turismo Responsável faz parte do projeto “Brasil, essa é a nossa praia” do Ministério do Turismo, e os destinos não são escolhidos por acaso. O critério vai além de atrativos naturais: avalia como a atividade turística pode promover inclusão, desenvolvimento local e cuidado com o patrimônio ambiental e cultural.
Fazendas, histórias e sabores

Ao longo da Estrada do Chocolate, o viajante encontra fazendas cacaueiras que são verdadeiros museus vivos da produção do chocolate: desde a germinação da semente até a degustação de versões artesanais e finas.
Algumas experiências destacadas incluem:
- caminhadas pelas plantações, com explicações sobre a história do cacau na região;
- visitas guiadas aos processos de colheita e preparo;
- momentos de degustação, que conecta paladar, memória e local.
Alice Saad conta que percorreu a Estrada do Chocolate durante sua passagem pelo sul da Bahia, e teve a oportunidade de viver essa experiência de perto ao visitar a Fazenda Bom Jesus, em Una (BA), produtora de cacau orgânico e uma das principais fornecedoras da Dengo. O passeio foi guiado e aconteceu durante sua hospedagem no Transamérica Comandatuba.
“Caminhar pela Mata Atlântica, provar o cacau in natura, experimentar o mel de cacau bem gelado e entender todo o cuidado envolvido no processo de produção do chocolate mudou completamente minha percepção sobre o território e sobre essa cadeia produtiva”, diz Alice, que complementa: “É uma vivência que conecta natureza, saber local e tempo. Uma experiência que recomendo a todos e que pode ser feita de diferentes formas, inclusive em roteiros de bicicleta.”
Quando um roteiro é reconhecido como referência em turismo sustentável, ele se torna também um lembrete de que o turismo pode ser inclusivo, gerando renda e oportunidades para as comunidades locais; conservacionista, ao proteger a biodiversidade e os recursos naturais; culturalmente rico, ao valorizar histórias e saberes; e territorialmente ético, ao respeitar quem vive e trabalha naquele lugar.

A Estrada do Chocolate se consolida como um exemplo vivo desse caminho. Um convite para repensar o papel que nossos passos exercem sobre a paisagem e sobre as vidas que encontramos ao longo da viagem. Em um momento em que tantas iniciativas buscam equilibrar desenvolvimento e preservação, esse roteiro mostra que é possível crescer sem perder identidade, e receber sem explorar.
Turismo sustentável não é apenas um conceito. É prática, é vivência, é tempo dedicado ao lugar e às pessoas que o tornam vivo. A Estrada do Chocolate nos ensina que viajar pode ser aprender com quem vive o local, saborear história onde ela acontece e construir memórias que respeitam a natureza e as culturas locais. Quando feito com consciência, até o simples ato de caminhar por uma estrada de cacau pode se transformar em uma forma profunda de conhecer o mundo, e a nós mesmos.

